Após listagem na Nasdaq, ação de exchange de bitcoin lidera procura em corretoras

20/04/2021


A ação da Coinbase foi o papel mais negociado por brasileiros em plataformas focadas em viabilizar investimentos no mercado acionário dos Estados Unidos, como a Stake e a Avenue, desde a histórica listagem da exchange americana de bitcoin e outros criptoativos na Nasdaq, na última quarta-feira.

Na Stake, considerando apenas os pregões de quarta-feira, quinta-feira e sexta-feira da semana passada, a ação da Coinbase (COIN) movimentou mais de 5 mil negociações e girou mais de US$ 10 milhões na plataforma, segundo Paulo Kulikovsky, COO (diretor de operações) da empresa.

Com isso, o papel da exchange americana foi o mais negociado no Brasil, seguido por Apple (AAPL), Tesla (TSLA), Gamestop (GME) e Riot Blockchain (RIOT) – esta é uma fabricante de máquinas de mineração de bitcoins, e sua popularidade também é reflexo da onda de entusiasmo com o ecossistema cripto que vem impulsionando a Coinbase.

O próprio bitcoin subiu cerca de 9% na semana que antecedeu a entrada da Coinbase na Nasdaq, batendo em um recorde US$ 64.841, mas, depois, após correção no fim de semana, voltou ao patamar anterior, de cerca de US$ 56,1 mil.

No ranking do mês de março, antes da listagem da exchange na Nasdaq, as ações mais visadas por brasileiros na Stake eram Tesla (TSLA), Apple (AAPL), Nio (NIO), GameStop (GME) e Palantir (PLTR).

“Não é novidade que o mercado de bitcoin está atraindo cada vez mais pessoas, e é natural que a listagem da Coinbase, que gerou US$ 1,8 bilhão em receita apenas no primeiro trimestre, gere essa movimentação. A empresa vale quase o mesmo que a NYSE (a bolsa de Nova York, US$ 67 bilhões) e mais que o dobro da Nasdaq (US$ 27 bilhões)”, comenta Kulikovsky, da Stake.

Na Avenue Securities, a listagem da Coinbase também foi recebida com muito interesse pelos investidores. Na segunda (12) e na terça-feira (13), dias que antecederam a data da entrada da empresa na Nasdaq, foram abertas mais de 2.000 novas contas por dia.

Segundo a empresa, esse volume representa um aumento substancial frente à média diária de novas contas e supera os picos registrados em outros eventos recentes com substanciais repercussões de interesse entre investidores, como a eleição de Joe Biden à Presidência dos EUA ou notícias positivas a respeito de vacinação.

 

Encontro bem-sucedido entre mundos distintos

Na quarta-feira (14), a Coinbase, uma plataforma de negociação de criptomoedas criada em 2012, em San Francisco, nos EUA, fez uma histórica listagem direta (processo semelhante a um IPO) na Nasdaq, a bolsa americana dedicada às companhias de tecnologia, e se tornou a primeira exchange de bitcoins com ações na bolsa.

Foi um divisor de águas para o mercado cripto, e um curioso encontro entre mundos distintos: o tradicional, das ações e das moedas fiduciárias, e seu antípoda digital e disruptivo, o ecossistema do bitcoin, das stable coins, de outros criptoativos e das blockchains.

O movimento é considerado bem-sucedido; a ação da Coinbase ganhou um preço de referência de US$ 250 no dia anterior à listagem, mas fechou o primeiro pregão bastante acima disso, cotada a US$ 328,28, o que levou o valor de mercado da empresa a US$ 85,8 bilhões (R$ 485,14 bilhões), acima da previsão inicial de US$ 77 bilhões.

Ontem, a ação da Coinbase fechou cotada a US$ 333.


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