ONU destaca Bitcoin e criptomoedas como nova fronteira para economia global

25/01/2019


Apenas a menção ao Bitcoin aumenta o interesse das pessoas, mas o que exatamente torna tão atrativo o Bitcoin e a economia das criptomoedas? Em fevereiro do ano passado, dois dos principais especialistas nesse campo, Ferdinando Ametrano, da Universidade Bicocca de Milão, e David Yermack, Presidente do Departamento de Finanças da Universidade de Nova York Stern School of Business, responderam questões sobre Bitcoin, blockchains e tudo mais na sede da ONU em Nova York.

Foi realizado um evento ao vivo chamado “Tudo o que você gostaria de saber sobre Bitcoin, blockchain e a economia criptográfica”, onde os dois especialistas responderam perguntas compartilhadas pelo público online, como por exemplo, como tornar a produção de criptomoedas mais ecológica; qual a implicação do Bitcoin em economias desenvolvidas versus economias emergentes e se elas podem ser usadas para minimizar os riscos de corrupção quando a ONU envia fundos para seus programas internacionalmente.

Após o evento online, os professores aprofundaram o tema da economia criptográfica enquanto subiam ao palco no seminário “Compreendendo Bitcoin, Blockchains e a Economia da Criptografia”, organizado pela Divisão de Análise e Política de Desenvolvimento da ONU (UN DESA).

Esta nova tecnologia pode trazer mudanças significativas para as sociedades em todo o mundo. Ambos os especialistas concordaram que muitos dos desafios econômicos enfrentados pela sociedade podem ser resolvidos pelo uso das criptomoedas. O seminário também abordou outros benefícios potenciais que o uso das criptomoedas poderia ter, mais notavelmente a remoção de terceiros ao fazer transações.

Como é agora, terceiros, como os bancos, regulam a maneira como usamos nosso dinheiro. Mas sem essa interferência, o dinheiro pode ser transferido entre pessoas, ou entre pessoas e empresas, sem quaisquer problemas. Este é um grande avanço na forma como conduzimos transações monetárias, com algumas pessoas já utilizando e outras adotando uma abordagem mais cautelosa.

Os professores concordaram que o futuro do Bitcoin e da economia criptográfica é brilhante e que as mudanças que podem fazer em nossa sociedade serão extraordinárias.

Em setembro do ano passado a ONU também publicou um relatório destacando o Bitcoin e as criptomoedas como uma nova fronteira para a economia global e que seu potencial é revolucionário, podendo criar novos modelos de negócios que reduzem a burocracia e aumentam drasticamente a eficiência frente aos modelos tradicionais.

“As criptomoedas representam uma nova fronteira nas finanças digitais e sua popularidade está crescendo. As redes descentralizadas para criptomoedas, sendo o Bitcoin um exemplo bem conhecido, podem rastrear as transações digitais. Elas permitem que valor seja negociado e podem dar origem a novos modelos de negócios que, de outra forma, exigiriam compromissos regulatórios e institucionais significativos.”

Por exemplo, um token de valor chamado climatecoin está sendo considerado como base para criar um mercado global de emissões de carbono, permitindo a troca de créditos de carbono peer-to-peer e uma conexão direta com a Internet das Coisas. Assim, seria possível que os dispositivos calculassem suas próprias emissões de carbono e comprassem créditos de carbono para compensar essas emissões.

“Há também propostas para usar a tecnologia blockchain como um livro-razão distribuído de informações do mundo real sobre registros de propriedades, identidades pessoais e procedência de alimentos e medicamentos, entre muitos outros tipos de dados. A ONU e a World Identity Network estão explorando maneiras de registrar identidades de crianças em um blockchain como meio de combater o tráfico de crianças.”

O relatório intitulado “World Economic and Social Survey 2018” também aborda o potencial de novas tecnologias e os desafios no desenvolvimento de um futuro sustentável. Através do relatório, a ONU e a comunidade global se comprometem ainda com uma agenda de 17 objetivos para um desenvolvimento sustentável.

 

“Mais do que nunca é importante criar infraestrutura e instituições que promovam inovações e difundam a adoção das tecnologias. A inovação do blockchain reside na maneira como as várias partes se combinam para criar a confiança e as garantias que o sistema financeiro tradicional deriva das instituições e da regulamentação. Os incentivos alinham o interesse dos participantes em contribuir para a segurança do sistema. Em contraste, o sistema tradicional se baseia em uma armadura complexa de relatórios, supervisão e garantias implícitas ou explícitas, apoiadas em última instância pela reputação da autoridade central. Como tal, a tecnologia blockchain apresenta a possibilidade - a primeira no campo das finanças - que a confiança em instituições apoiadas pelo governo pode ser substituída pela confiança em um código de computador.”

A ONU também quer utilizar a tecnologia blockchain para a construção de um sistema de ajuda internacional mais eficiente. Se diferentes organizações de ajuda tiverem acesso a um blockchain de registro, elas terão uma ideia melhor de onde a ajuda está indo e quem está recebendo o quê. Ter essas informações, por sua vez, permitiria que diferentes organizações colaborassem, evitando tanto a duplicação da ajuda - como a perda de tempo e recursos – quanto a corrupção.

“Embora esteja em seu estágio inicial, o ímpeto da tecnologia blockchain no sistema da ONU está crescendo: os benefícios potenciais superam em muito os riscos.”

O desenvolvimento e testes já foram iniciados. Por exemplo, uma ajuda em dinheiro foi enviada como um vouncher de criptomoedas para 10.000 refugiados sírios, para que eles possam comprar alimentos localmente como parte de um piloto do Programa Mundial de Alimentos em larga escala. Mais de 15 outras agências da ONU estão investigando possíveis aplicações do blockchain.

 

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Fonte: ONU


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