Mãos de ouro do Mandela vendidas por US $10 milhões em Bitcoin

29/03/2018


O empresário sul-africano que se tornou canadense Malcolm Duncan vendeu as quatro peças da coleção Nelson Mandela Golden Hands, peças fundidas em ouro das mãos do líder sul-africano. A empresa canadense de criptomoedas e aspirante a exchange, a Arbitrade, está entregando um total de 10 milhões de dólares em Bitcoins pelo prêmio. A estratégia de marketing é uma justaposição interessante da história e do futuro, da política radical e do livre mercado radical, e do curioso plano de negócios da Arbitrade. A empresa planeja uma próxima ICO, operações de mineração e um token supostamente apoiado pelo ouro – por isso a grandiosa compra.

Nelson Mandela foi o primeiro presidente negro da África do Sul, após um período de apartheid racial obrigatório. Ele foi acusado em 1962 de violenta insurreição contra o governo e cumpriu quase três décadas de prisão. O presidente Frederik Willem de Klerk o libertou em 1990 e o país tem estado no longo processo de reconciliação e compartilhamento de poder desde então. Sua defesa do socialismo pode representar um problema filosófico para os seguidores, considerando que o capitalismo parece ter um pedaço de seu legado. Nelson Mandela morreu em 2013 aos 95 anos de idade.

Malcolm Duncan e as mãos de ouro de Mandela

Levou uma década para Duncan se desfazer das mãos (ele supostamente comprou os conjuntos por US $31 mil), dois conjuntos de dois, com 99,999% de ouro, pesando um total de 20 quilos. Por dez anos, ele pensou em vender as peças, às quais Mandela moldou em 2002 a mando de uma mineradora sul-africana, Harmony Gold, para fundir 27 conjuntos, um para cada ano que ele passou como prisioneiro político. Os conjuntos são formados por uma palma e um punho, mas depois de dois conjuntos o projeto estagnou, deixando como comemoração 1964 e 1990, quando Mandela foi preso e libertado de Pollsmoor, respectivamente.

A Arbitrade insiste que fará uma turnê mundial com a coleção, ajudando a educar mais pessoas sobre quem foi Nelson Mandela e, por tabela, sobre as criptomoedas também. Uma ironia é que o próprio valor do ouro é pequeno, mas a arte simbólica pode ser considerada pelos admiradores como inestimável, revelando outra lição: a descoberta do preço.

Arte e Bitcoin, uma relação crescente

Len Schutzman, o presidente da empresa, explicou a recente compra e a posterior publicidade, “é a primeira vez que a coleção é exposta ao público em geral em qualquer lugar do mundo desde que a Carta de Autenticidade foi recebida da Harmony Gold, [...] A coleção celebra não apenas as contribuições notáveis de Nelson Mandela para a humanidade a cada ano, mas também tudo o que tem sido feito pela África do Sul no apoio ao ouro e à indústria de mineração ao longo dos anos. Além disso, o momento de comprar a coleção é especialmente significativo, pois estamos celebrando o 100º aniversário do nascimento de Mandela dessa maneira única pela primeira vez na América do Norte.”

Para os sul-africanos, a arte de Mandela é uma espécie de controvérsia, já que sua imagem e nome haviam sido usados em excesso a tal ponto que ele teria ordenado que toda essa arte fosse destruída. Artes compradas com Bitcoin, no entanto, tem recebido cada vez mais atenção. No ano passado, uma pintura de Mark Flood, Select a Victim, foi leiloada pela The White Company por US $100.000 na moeda descentralizada. A Cork Street, a famosa galeria de Londres, aceita todos os tipos de criptomoedas em um esforço para ampliar a base de clientes (o proprietário também é um impulsionador de ativos digitais).

Duncan vai liberar sua coleção por 2,5 milhões de dólares cada peça, em Bitcoin. Até agora, ele recebeu cerca de US $50.000, o restante será pago em abril, de acordo com relatórios.

Fonte: news.bitcoin


COMENTÁRIOS